Alemanha e França se unem nesta segunda-feira (18) para preparar a “recuperação econômica” da União Europeia após a crise do coronavírus, com uma coletiva de imprensa de Angela Merkel e Emmanuel Macron, em que revelarão uma “iniciativa” comum.Os dois líderes vão se reunir às 10h30 por videoconferência, antes da coletiva em que apresentarão uma “iniciativa franco-alemã” sobre “a recuperação econômica da Europa”, segundo a Chancelaria.

O foco será “a saúde, recuperação econômica, transição ecológica e digital e soberania industrial”, afirmou a presidência francesa.

Os 27 países membros da UE trabalham para sair da primeira fase da crise da COVID-19, a das medidas de emergência e confinamento, que afetaram profundamente suas economias.

Eles iniciaram um retorno progressivo à normalidade e um reativamento econômico em ordem dispersa, em particular no gerenciamento das fronteiras.

“Todo mundo sabe que nenhum país sairá sozinho”, ressaltou a presidência francesa, insistindo, como é tradicional, na necessidade de uma “convergência franco-alemã” antes de um acordo entre os 27.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve apresentar os detalhes do programa de recuperação econômica em Bruxelas em 27 de maio, que será apoiado por um potencial aporte financeiro de entre 450 e 900 bilhões de euros.

O Parlamento Europeu quer elevar todo o pacote de estímulos a US$ 2 bilhões para lidar com a recessão histórica que se aproxima para 2020 na zona do euro (-7,7% de acordo com as últimas previsões da Comissão).

Uma cúpula europeia deve ser convocada para negociar a importância da capacidade de endividamento, o uso de fundos e os termos dos reembolsos.

Nesta ocasião, “será necessária uma reunião física”, afirmou a Comissão, enquanto os líderes dos 27 têm se reunido apenas por videoconferência desde o início da crise.

Uma das questões não resolvidas é determinar se esse plano de recuperação incluirá transferências diretas de fundos (subsídios) aos países mais afetados pelo coronavírus – que é o que Itália e França defendem – ou se funcionará como empréstimos a serem reembolsados – posição defendida pelos países do norte da Europa.

Paradoxalmente, o recente julgamento do Supremo Tribunal alemão criticando os programas de ajuda do Banco Central Europeu (BCE) para a zona do euro poderia ter mudado as linhas da Alemanha, até então relutante em financiar a solidariedade financeira na Europa.

Neste sentido, em 13 de maio, Merkel falou a favor de uma maior “integração” da zona do euro e evocou a necessidade de uma “união política”.

Durante o encontro de hoje, Macron também deve insistir na “agenda da soberania industrial nos setores estratégicos europeus”, segundo sua comitiva.